Mel de Lama

Mel de Lama

sexta-feira, outubro 31, 2003

no dia que passou, pelo menos cá em Lisboa, mas calculo que pelo país todo, esteve um dia bastante cinzento ... daqueles que apetece mesmo passar o dia todo de pijama e com o cabelo penteado à mão ...

e basicamente, pelo menos até a meio da tarde, foi o que fiz ... embuído de um estado de espírito semi-melancólico, mas nem por isso particularmente triste ...

aproveitei, e dado que o meu Adobe Premiere deu o berro (vá-se lá perceber porquê), para abrir pela segunda vez na minha vida o Windows Movie Maker e explorar as suas (poucas) potencialidades ...

editei assim uns quantos clips que tinha algures no disco rígido, produtos da minha máquina fotográfica digital, e adicionei-lhe um belo sonoro (pelo menos na minha opinião) ...

partilho então o clip final, produto desta tarde cinzenta, dedicando-o, muito especialmente, a todos os canídeos que passam o dia em casa, solitários, à espera que o(s) dono(s) cheguem ... presto também homenagem, desta forma simples, ao recentemente falecido Elliott Smith ...


para ver o filmezito carregue aqui -> CLIP

... e para os mais curiosos, aqui fica a letra da música do clip ...

Elliott Smith - Pitseleh
"
I'll tell you why I don't want to know where you are
I got a joke I been dying to tell you
a silent kid is looking down the barrel
to make the noise that I kept so quiet
I kept it from you, Pitseleh

I'm not what's missing from your life now
I could never be the puzzle pieces
they say that God makes problems
just to see what you can stand
before you do as the devil pleases
and give up the thing you love

but no one deserves it

the first time I saw you I knew it would never last
I'm not half what I wish I was
I'm so angry, I don't think it'll ever pass
and I was bad news for you just because
I never meant to hurt you
"

e com isto, despeço-me por hoje ... até amanhã ...
|| PMM 1:31 da manhã

quinta-feira, outubro 30, 2003

hoje, deve ser das horas, sinto-me particularmente cansado ...

passei grande parte da tarde a rever uma colectânea do Calvin & Hobbes ... o Calvin fez com que eu prestasse mais atenção às comics aqui há uns anos ... agora tenho tudo o que há de Foxtrot, Mutts, Citizen Dog, Zits e mais uns quantos ... vou também coleccionando uns quantos Groo The Wanderer do mítico Sergio Aragonés (que colabora há anos, entre outras coisas, com a revista MAD) ...

pelo que sei, o Bill Waterson (o criador de Calvin & Hobbes) nos dias que correm pinta e vive com os pais na pequena cidade onde nasceu ... cansou-se dos prazos de entrega das tiras e do negócio por detrás de todo o mundo das comics (ele que, de resto, nunca vendeu os direitos de Calvin & Hobbes sem ser para as colectâneas de livros) ...

ler o Calvin faz-me sentir nostálgico como tudo ... só continuando a ler as suas tiras é que faz com que o sentimento se desvaneça ...

... felizmente tive oportunidade de conhecer as tiras do Calvin quando a primeira colectânea saiu cá em Portugal, uma edição Gradiva-Público que, na altura, foi oferecida à minha mãe ... antes disso, se descontarmos os livros do Pato Donald, a única tira que eu tinha lido tinha sido a Mafalda do Quino, na belíssima colectânea "Toda A Mafalda" comprada numa feira do livro algures nos loucos (de mau gosto e não só) anos 80 ...

e como não me sinto particularmente inspirado para escrever, vou partilhar uma tira que tive oportunidade de ler hoje, e que felizmente achei algures na world wide web ...



diria que resume de forma bastante correcta a atitude de muita gente nos dias que correm ...

bem, por hoje é tudo ... até amanhã ...
|| PMM 2:54 da manhã

quarta-feira, outubro 29, 2003



esta é a minha sanita ... nada muito high-tech, longe disso, enquadrada num azulejo de casa-de-banho à early 80's, tudo bem ... mas é a minha sanita ...

quantos de nós já reflectiram acerca de tal objecto, um verdadeiro símbolo da epopeia Humana? ... pois é, parece que a sanita é um assunto tabu, cujo significado procuramos rapidamente esquecer, pois remete-nos para a nossa condição animal ... a sanita, ainda que indirectamente, reduz o Homem à sua verdadeira condição de macacão, que tanto, infelizmente, procura esquecer com este seu espírito megalómano e de vasta (falsa) sapiência ...

ainda que não seja universal, pois alguns de nós ainda o podem fazer livremente pelas florestas e savanas deste nosso planeta, a sanita, símbolo da "civilização", não esconde o seu propósito ... não há ninguém, neste nosso sub-mundo, dito avançado, que não a use ... podemos dividir assim a Humanidade entre sociedades com sanita e sem sanita ... as sociedades sem sanita não as têm, pois não precisam delas, no seu modo de vida, infinitamente mais bem adaptado à nossa condição de primata, um objecto como a sanita é profundamente inútil ...

já nas sociedades com sanita, esta (a sanita), se falarmos exclusivamente do propósito da sua existência, reduz qualquer diferença entre classes a zero ... pode ser pequena ou grande, com tampos mais ou menos confortáveis, mas o facto é, não há ninguém no sub-mundo assanitado, por muito superior que se ache, que não a utilize ... se pensarmos bem até há, vejam lá bem, no nosso mundo, dito civilizado e tecnologicamente avançado, há pessoas que são sanito-excluídos ... se a sanita, na nossa sociedade com sanita, representa um dos nossos lados animais, isto quer dizer, puramente e simplesmente, que há pessoas que são tratadas abaixo de qualquer ser vivo ... de que nos vale o conhecimento e a tecnologia se não resolve isto? ... é um processo biológico básico como o respirar, querem também excluí-los de o fazer? ... num plano mais sério, quando se passa fome e não se tem um tecto, por contraste com os outros membros da mesmíssima sociedade, a sanita, ainda que o vejamos como uma comodidade primária, passa para segundo plano ...

bem, mas voltando à dissertação ... ainda que não totalmente (pois há quem não a tenha), a sanita reduz-nos áquilo que verdadeiramente somos, um mamífero, um primata, assim como os nossos irmãos chimpanzés (que não têm o mau gosto de se considerar sapiens sapiens), que come, respira, reproduz-se (ou faz por isso) e excreta ... podem ter uma sanita em ouro com um tampo em diamante, mas o que é facto é que, se é uma sanita, está lá para receber as nossas excreções (incluindo o vómito de Sábado de manhã) ... essa é a verdade nua e crua ...

ora isto mete qualquer pessoa no mesmo plano de outra qualquer desta nossa sociedade assanitada ... vamos lá pensar nos nossos "ídolos", ou nos nossos grandes amores platónicos, ou, porque não, em pessoas que desprezamos .... se as sanitas por onde eles passaram pudessem falar, saberiam, com toda a certeza, dizer que o estrume que por eles é excretado não cheira melhor que o dos outros todos ... é tudo a mesma merda, literalmente ...

ainda não estão convencidos? então imaginem lá o Brad Pitt e a Claudia Schiffer com brutais ataques de diarreia ... acham que nunca tiveram ? ... a mim não me parece, e, de facto, esse pensamento faz-me pensar que eles estão, pelo menos nesse plano, muito mais próximos de mim e da minha existência ... de facto, seja lá o papel que representamos na sociedade todos nós somos uns grandas macacos e temos que viver com isso ... ainda que o meu consciente tente depressa colocar a imagética da situação acima referida (Brad Pitt e Claudia Schiffer + diarreia) bem no fundo do meu insconsciente, não deixa de ser, em certa medida, um pensamento reconfortante ...

povo do mundo, lembrem-se que, por muitos mecanismos de defesa que tenhamos, havemos sempre de ter um lado macacóide e percebam o Homem como um todo carago (eduquem esses dualistas que ainda proliferam e lembrem-se que o genético por si só não explica o comportamental, por muito facilitador que isso seja) ... é isso ...

e pronto, por hoje é tudo ... tenham uma continuação de bom dia e até amanhã ...
|| PMM 7:58 da tarde
... hoje reparei que o meu sistema de comentários está avariado ... não me perguntem porquê, até já pode estar assim há alguns dias (não que eu tivesse muitos mais comentários) ... se isto continua assim resta-me mudar de serviço ...
|| PMM 3:29 da tarde

terça-feira, outubro 28, 2003

pois é, como já devem ter reparado, acrescentei uma secção de blogs no menu ... aproveitei a listagem dum determinado site de blogs da república portuguesa e andei a explorar blogs do meio para o fundo da tabela (qual a piada de fazer link aos do topo quando toda a gente já os conhece?) ... e pronto, por agora é isso ... até logo ...
|| PMM 6:36 da tarde
bem, já agora aproveito para dizer que vou explorar aí uns quantos blogs menos conhecidos, e tal, para futuros links, conto que amanhã ou depois já tenha uma lista com uns quantos ...

e como já me estou a tornar chato com tanto post é desta que me vou ...

até amanhã ...
|| PMM 12:27 da manhã
hmmm, o meu post de terça-feira ficou na segunda-feira ... tudo isto porque eu o escrevi às 23:18 em vez das habituais poucas horas e respectivos minutos a seguir à meia-noite ... deve ter sido por causa daquela história de acertar a hora, ainda estou pela hora antiga ...

bem, era mesmo só para ter um post "hoje" ... e desculpem o incómodo ...
|| PMM 12:08 da manhã

segunda-feira, outubro 27, 2003

pois é, a mítica banda sonora do filme que eu fui ver ontem, o quarto filme do Quentin, já cá canta ... e que bem fica na colecção de OSTs numa das minhas colunas de cds, pu-lo imediatamente por baixo da banda sonora dos Cães Danados ...

sim, eu sei que me falta a banda sonora do Pulp Fiction, que é mítica, e do Jackie Brown, mas uma pessoa vai gastando tanto dinheiro para manter tantos vícios que há coisas que vão ficando para trás ... é do tipo, está a meio da lista de prioridades, mas à medida que uma pessoa vai comprando as do topo da lista, vão saindo dvds, cds, comics, livros que, muito provavelmente, devido a serem novidade (é susceptível de análise no entanto), accionam um mecanismo de compra do produto deveras impulsivo, tal é o grau de desejo ... é o chamado consumismo quasi-desenfreado, ainda que por boas causas, acho eu ...

... bem, seja como for, aqui está a capa do cd ...



... assaz semelhante ao poster do filme ...

confesso que hoje tinha mais ou menos já pensado um belo dum post, muito filosófico, acerca de sanitas e da sua contribuição para o avanço da ciência e para as grandes causas culturais, mas fica para outra altura, visto isso requerer mais tempo e mais recursos cognitivos do que eu hoje, infelizmente, estou disposto a gastar ... mas fica já a promessa feita ...

e para acabar em beleza, aqui fica a transcrição da música interpretada por Nancy Sinatra, com letra de Sonny Bono (sim, o mesmo gajo do duo Sonny & Cher ... "i've got you babe" ... ), música a qual cabe as honras de abertura de Kill Bill vol.1 ...


Nancy Sinatra - Bang, Bang - How Does That Grab You? (1966) e Kill Bill Vol.1 OST (2003)

"
I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He could always win the fight

Bang bang he shot me down
Bang bang I hit the ground
Bang bang that awful sound
Bang bang my baby shot me down

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called him mine
He would always laugh and say
Remember when we used to play

Bang bang I shot you down
Bang bang you hit the ground
Bang bang that awful sound
Bang bang I used to shoot you down

The music played and people sang
And just for me the church bells rang

Now he's gone I don't know why
And till this day some times I cry
He didn't even say goodbye
He didn't take the time to lie

Bang bang he shot me down
Bang bang I hit the ground
Bang bang that awful sound
Bang bang my baby shot me down
"

e assim despeço-me por hoje ...



|| PMM 11:18 da tarde
pois é, hoje consegui, finalmente, ver o Kill Bill ... foi no Fonte Nova na sessão das 14:30 e reparei que a essa hora há muita gente que vai ao cinema sozinha, pelo menos ali (não podemos generalizar os dados sem confirmação estatística dos factos) ... curiosamente hoje vi três pessoas, nessa mesma sessão, a dar uma gorja às raparigas, neste caso, que nos encaminham para o lugar ... nada que o Steve Buscemi nos Cães Danados concordasse, mas tudo bem ...

quanto ao filme em si, pois bem, trata-se de um verdadeiro épico sino-japonês gore americano, regado com uma banda sonora genial, que faz lembrar muita coisa, incluindo, a título de exemplo, os spaghetti westerns do Leone (Morricone portanto) e as películas blaxploitation dos 70's ... é bom ver que o rapaz tem tantas boas referências ... (uma nota também para a música em pan-pipes do final, fabulosa) ...

a genialidade do filme reside, em parte, nos inúmeros tributos que ali se prestam, em especial para aqueles que mais ou menos facilmente as identificam ... o Quentin é sem dúvida um bom rapaz, porque não só vê muitos filmes, como é óbvio, como também consegue fazê-los ...

no entanto tenho que confessar uma coisa, apesar de eu ter gostado do filme, bastante para ser mais exacto, talvez por eu apreciar especialmente o cinema asiático e ser daqueles que queria ter visto as 3h e 20m duma vez, o facto é que na classificação do imdb.com só dei 9 ... é verdade, não dei 10 ... não me levem a mal, 9 é uma nota muito boa, mas, de facto, não deu ... no entanto isto há-de ser revisto quando eu voltar a ver o filme, possivelmente esta semana, e ainda melhor ainda quando eu vir o Kill Bill vol.2 ...

talvez tanto tempo de espera tenha criado um mim uma expectativa gigantesca que foi cumprida, mas não tão superada em larga margem como eu desejava (culpa minha) ... juntem-lhe o facto de eu ser um ávido consumidor de filmes de Hong Kong, yakuzas, spaghetti westerns e gore e provavelmente, apesar de ser fabuloso, sem dúvida, nada do que eu tenha visto tenha sido realmente e propriamente "novo" ... "novo" para o cinema americano e mais mainstream talvez ... mas sem dúvida que até o próprio Quentin sabe que a "novidade" do filme é o medley dos n filmes que avidamente consumiu, incluindo os seus (especialmente na parte dos diálogos), do que propriamente cada cena por si própria ... mas um filme é um conjunto de cenas, portanto resulta muito bem, não tendo, no entanto, superado largamente a minha megalómana expectaviva ...

deixei-me, "apesar de tudo", surpreender (e isso é bom), especialmente (mas não só), por dois aspectos geniais do filme e agora devo dizer uma coisa a quem não viu o filme ainda -> "WARNING, POSSIBLE SPOILERS AHEAD"; primeiro, a parte de anime da O-Ren Ishii, para mim uma das, senão a melhor parte do vol. 1, que não vou comentar mais, pois um dia destes dedico-lhe um post em particular; a outra, a quantidade de membros decepados e esguichos de sangue ao bom estilo do nosso amigo Peter Jackson (mas não ultimamente), com a vantagem de para tal terem sido usados efeitos especiais à boa moda dos 70's em Hong Kong, fantástico de facto ... nunca tinha visto tanta coisa rasgada, decepada e a esguichar litradas de sangue desde a famosa cena do corta-relvas no Braindead ... de referir ainda os agradáveis efeitos sonoros que acompanhavam tanta katanada da Uma Thurman nos yakuza com máscaras iguais às de Kato nessa assaz estupenda série que era o Green Hornet ...

pois bem aqui fica a minha crítica cinematrográfica em formato reduzido (320x200) do Kill Bill vol.1 ... é provável que ao longo destes dias me vá pronunciando mais em detalhe acerca de alguns aspectos do filme, mas para já, e até porque tenho aulas amanhã, é tudo ...

note-se ainda que na já referida classificação do imdb.com eu dei 10 (e não são muitos) a um outro filme do Tarantino, portanto é bom que o Quentin tenha esmifrado bem o vol.2 para ver se chega lá ... para já o Michael Madsen promete ...

já agora e em tom de conclusão fica aqui a minha homenagem ao Kill Bill, ao Quentin, ao cinema asiático, sino-americano e ao Bruce Lee em particular ...



é sem dúvida um dos tributos mais óbvios que o Tarantino presta no Kill Bill ...

PS : Hwang Jang Lee lives ...
|| PMM 2:30 da manhã

domingo, outubro 26, 2003

já agora, dada a minha proximidade física com o local de eventos em questão do meu post de hoje, aqui fica a minha contribuição pictográfica :



reforçando a história do conflito interno; estava bonito ...

PS : apesar disto, por favor, não confundam coisas ...
|| PMM 1:41 da manhã
acabei de ver um acontecimento que será, certamente, muito comentado, ou algo comentado, nos próximos dias ... então não foi que, findo o jogo de inauguração do novo Estádio da Luz, essa personalidade carismática, nem que seja apenas pelos seus pêlos faciais, "O Barbas" mostrou literalmente aos jogadores como comer relva ...

eles antes do acto em si disse algo deste tipo ao jornalista da TVI ; "e agora se me permite vou beijar este relvado e comer um bocado de relva" ... e assim fez, tal como o papa quando chega de avião, "O Barbas" inclinou-se no relvado apoiado nos joelhos e beijou o relvado ... e depois amontoou um pouco de relva e mastigou-a, tendo ficado com um pedaço de relva na barba, que se tornou visível quando este se levantou e ficou de frente para a câmara ... a isto eu chamo um grande momento de televisão ... obrigado TVI, já não basta as festas do Carlos Ribeiro ...

ficámos assim com uma vaga ideia de como "O Barbas" fica depois de comer caldo verde ...

quanto ao resto em si, apesar de não ser um adepto do Benfica, posso dizer, depois de algum conflito entre o meu ego e o super-ego, que o estádio estava bastante bonito ... pena é que as equipas não pareciam estar muito à altura do evento, mas enfim, isso já é outra história ...

morando eu em Benfica, essa freguesia de Lx, posso dizer com franqueza que as equipas pareciam estar mais ao nível dos acessos ao estádio do que ao estádio propriamente dito ... ou seja, nada de novo para os lados da Luz, a menos que eu muito me engane ...

quanto às referidas obras de acesso, nem me apetece comentar ... (lá para Fevereiro, quando é suposto acabarem , talvez me pronuncie acerca dessa questão, até lá vou aguentando o trânsito...)

quanto ao estádio, até é provável que vá lá ver uns jogos da selecção um ano destes ...

PS : viram a defesa do Bossio? ... quais seriam as probabilidades daquilo acontecer??
|| PMM 1:36 da manhã

sábado, outubro 25, 2003

... hmm hoje o Kill Bill estreou cá em Portugal, mas como fui ao Mundial ver o Bela Marta, com bilhetes à pala, ainda não pude desfrutar da última película do Tarantino ...

note-se, no entanto, que quando uma coisa está tão nas bocas de todo o mundo, literalmente, perde-se uma certa noção de "pertença", mas não há-de ser isso a desmotivar-me ...

pensando bem nisso, até é bom que se "saiba" ... é preciso que toda a gente tenha acesso à "cultura" e que haja partilha de conhecimentos ... o problema é que, quando criamos a imagem, a nossa interpretação do que acabámos de ver, dificilmente a mudamos ... a primeira impressão é mais durável e requer mais recursos cognitivos, que nem sempre estamos dispostos a dispender, a mudá-la do que a criar essa primeira impressão ... é "fácil" vivermos com ideias simplistas e mesmo preconceituosas (não no sentido popular da palavra mas sim no termo técnico de pré-conceito que é transmitido culturalmente sem qualquer conotação negativa ou positiva) e apenas "vermos" o que queremos ...

de facto, somos tão incríveis que seleccionamos, mais ou menos insconscientemente, a informação que nos é relevante para dar suporte à nossa impressão, e facilmente esquecemos a outra ... realmente este mecanismos de evitar sofrimento, de resistência à mudança, são do pénis ...

de qualquer forma hoje choveu para bode cá em Lisboa e fiquei horas, mas horas mesmo, no trânsito da nossa bela capital com um tempero especial duma bela chuvada.

à vinda do cinema conseguiu chover ainda mais e dadas as horas o trânsito era considerável ...

até registei um momento pictográfico desse regresso a casa e tudo, ora vejam:



... ainda que mal, dá para ver que há carros e chuva ... juntem-lhe o filmezinho, que era de boa digestão (no puro sentido da palavra), e assim se resume o meu dia ...

bem e por hoje é tudo, até porque começa-se a fazer tarde ...


|| PMM 3:16 da manhã

sexta-feira, outubro 24, 2003

... bem hoje não fiz muita coisa, mas, por acaso, tive oportunidade de ouvir o grande hit do José Cid, "Como O Macaco Gosta De Banana", e perante os factos decidi transcrever esta genial letra de música com muito conteúdo latente...

então é assim :

"
a minha palmeira é muito porreira, eu sei
mas no meu deserto tu foste o oásis que achei
tu ficas louquinha quando tiro a casca à banana
ficas tão tontinha que a tua cauda abana

como um macaco gosta de banana eu gosto de ti (de banana)
escondi um cacho debaixo da cama e comi comi (da banana)

minha macaca gira e bacana
o teu focinho é que não me engana
pois se a macaca gosta de banana tu gostas de mim
como um macaco gosta de banana eu gosto de tiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

um orangotango transformou um tango num rock
é a nova moda que põe Portugal em amok
quem foi ao ataque foi um chimpanzé e um saguini
minha macaquinha estão apanhadinhos por ti

como um macaco gosta de banana eu gosto de ti (de banana)
escondi um cacho debaixo da cama e comi comi (da banana)

minha macaca gira e bacana
o teu focinho é que não me engana
pois se a macaca gosta de banana tu gostas de mim
como um macaco gosta de banana eu gosto de tiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

(repete 1º, 2º e 3º verso)

"
- José Cid

... bem vamos lá perceber isto ...

primeiro um amor entre um homem e uma macaca parece-me assaz contra-natura, mas sim, vamos pensar que isso é na brincadeira para a música ter graça e tal, até porque no fundo somos todos uns grandas macacos ... mas de qualquer forma, quer se queira ou não, apela-se à bestialidade ...

mas o mais giro é o que vem a seguir!! a "macaca" fica tão tontinha que abana a "cauda", ficando louquinha quando se tira a "casca" à "banana" ... bem é assim, eu realmente devo ser uma mente suja, muito muito suja ... daí os parentesis todos, se é que me faço entender ... no fundo no fundo, e para ser realmente algo recalcado e profundo parece-me amor à Tomás Taveira ... mas isso sou eu que digo e eu sou muito perverso ...

quanto "à palmeira" ser "porreira" tenho a dizer que é normalmente positivo termos uma imagem positiva do nosso corpo ... nada mais a acrescentar portanto ...

depois dá-se a comparação entre o apetite dos macacos por bananas e o amor, ou outros apetites, mas não sendo claro, passo à frente ...

a próxima linha é das que eu mais gosto, "escondi um cacho de bananas debaixo da cama e comi comi (da banana)", uma possível interpretação para isto é sem dúvida um comportamento, perfeitamente natural, masturbatório ... sendo os cachos de bananas qualquer penthouse, playboy ou algo mais barato, até porque o bolso do pessoal quando ainda se vive em casa dos pais não é, normalmente, muito recheado ...
importante para esta interpretação é "escondi um ...", esta necessidade de se esconder o cacho de bananas para uma pessoa se gratificar, comendo-as, comendo-as (tal como na letra), é sem dúvida uma transformação da necessidade real de esconder as revistas dos pais, do irmão mais novo ... seja lá de quem for ...

no verso seguinte volta-se a falar de bananas e da relação entre o amor e as bananas, no fundo da relação entre apetites ... no entanto salienta-se o "o teu focinho é que não me engana", sem dúvida que com os tons de face mais corados, não dá mesmo para enganar ... é bom ter prazer ...

e chegamos finalmente ao último verso que falta analisar, mais uma vez, e apesar de eu ter dado um desconto inicialmente, fala-se dum amor contra-natura ... mas ainda antes e em primeiro lugar, dá ver as influências de Hunter S. Thompson em José Cid, tendo um orangotango transformado um tango num rock e pondo, assim, Portugal em amok, run amok que é, segundo o Oxford Advanced Learner's Dictionary, "to rush about in a state of wild and angry excitement" ... cá para mim isto tem tudo a ver com uma violência contida muito ligada à sexualidade, mas não sei mesmo, aceitam-se sugestões ... quem seria o orangotango? (tendo em conta o ano em que a música foi escrita) porquê um tango num rock ? (será porque rima com orangotango?) e qual o impacto disto tudo em Portugal? (será Portugal ou o próprio José, ou será José o orangotango?) terá sido em consequência do amok que o chimpanzé e o saguini ficaram apanhadinhos pela macaca? (será a um nível mais profundo um desejo de violação?) ... não sei, mas requer análise posterior e mais detalhada, sem dúvida ...
mas voltando ao amor contra-natura, tendo o chimpanzé e o saguini ficado apanhadinhos pela macaca, de referir que ainda não percebi muito bem o que é um saguini ... a referência que encontrei mais próxima é a do macaco-bigodeiro (Saguinus imperator) ... de qualquer forma o chimpanzé será sempre, com 100% de certeza, uma espécie à parte da tal macaca, e infelizmente nem acabamos por perceber que espécie de macaco é a tal referida macaca (será um macaco bigodeiro também?) de qualquer forma, posso aventurar-me em dizer que está aqui adjacente, muito implicitamente um ménage-à-trois entre a macaca,o chimpanzé e o eventual macaco bigodeiro ... atendendo à época em que a música foi escrita é bem possível que José tenha muito bons amigos de bigode e daí esta referência

no entanto há-que referir que num plano global a mim parece-me que tudo isto não passa duma masturbação com forte componente imagética (o abanar da cauda da macaca, por exemplo) onde, neste caso, a macaca é de tal forma diferente que o seu amor é, porventura, inantigível ... é como um puto de 13 anos a masturbar-se à noite cama, aparentemente com a ajuda de uma revista relevante para o assunto, e pensar na Claudia Schiffer ou, porque não, numa das coelinhas da Playboy ou modelos fotográficos das tais revistas em causa ... há portanto um cruzamento entre o real (o cacho de bananas escondido) e o imaginário (a tal macaca e eventualmene o ménage-à-trois) ...

... ai José José saíste-me um granda maluco ...

não sei se concordam, mas a mim parece-me tudo muito estranho ...

mas isso sou eu que sou muito perverso ...

PS : não me levem a sério, ok?
|| PMM 1:06 da manhã

quinta-feira, outubro 23, 2003

... bem não correu nada mal, 3-2 fora e tal, não que eu seja portista mas um gajo faz um jeito nestas noites europeias ... fico com a consciência tranquila e quem não 'tiver (a consciência tranquila), azar ...

... quanto ao resto, pelos vistos vai tudo mais ou menos na mesma ... acabei de saber que o Elliott Smith se matou, logo um dos singers/songwriters que eu mais vinha apreciando ultimamente ... em particular uma música que aparece na OST dos Royal Tenenbaums ; "Needle in the Hay" ... logo numa cena onde a personagem do Luke Wilson faz uma tentativa de suícidio ... enfim ... mas para a grande maioria de nós, cá se vai andando com a cabecinha entre as orelhas, whatever that means ...

R.I.P. Elliott Smith (1969 - 2003)

... aqui fica a minha homenagem com a letra da referida música ...


Needle in the Hay

Your hand on his arm
the hay stack charm around your neck
strung out and thin
calling some friend trying to cash some check
he's acting dumb
that's what you've come to expect
needle in the hay
needle in the hay
needle in the hay
needle in the hay
he's wearing yr clothes
head down to toes a reaction to you
you say you know what he did
but you idiot kid
you don't have a clue
sometimes they just get caught in the eye
you're pulling him through
needle in the hay
needle in the hay
needle in the hay
needle in the hay
now on the bus
nearly touching this dirty retreat
falling out 6th and powell a dead sweat in my teeth
gonna walk walk walk
four more blocks plus the one in my brain
down downstairs to the man
he's gonna make it all OK
i can't beat myself
i can't beat myself
and i don't want to talk
i'm taking the cure so i can be quiet
whenever i want
so leave me alone
you ought to be proud that i'm getting good marks
needle in the hay
needle in the hay
needle in the hay
needle in the hay

- Elliott Smith


PS : ... quem me dera que pudessem ouvir a música de fundo no blog ...
|| PMM 1:40 da manhã

quarta-feira, outubro 22, 2003

começarei os meus posts, sejam eles diários, semanários ou whatever a partir de amanhã ... hoje tenho que ir ver o Marselha x Porto ...

... parece-me justo ...
|| PMM 6:48 da tarde
... mel de lama ... porque nem tudo o que é doce o é ...
|| PMM 5:43 da tarde